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GINECOLOGIA NATURAL

Ciclo Feminino e Yogaterapia

Jacqueline Guerra, naturóloga, coach de saúde e bem-estar e jornalista

15 de Junho de 2018

Existem diversos sistemas de Yoga, como o Hatha Yoga, o Ashtanga, o Iyengar e o Vinyasa.  Nesse artigo vou falar do método Womb Yoga, criado em 1999 pela yogini Uma Dinsmore-Tuli em 1999, que pode ser livremente traduzido como “Yoga do Ventre” ou “Yoga do Útero”.

Ao final do artigo, disponibilizo a Saudação Rio Sagrado Coração – Útero, uma das práticas que ela ensina no livro Yoni Shakti: A woman’s guide to power and freedom through yoga and tantra (Yoni Shakti: Guia da mulher para o poder e a liberdade através do yoga e do tantra), no qual ela apresenta uma visão do mundo do Yoga de uma perspectiva feminina.

No primeiro artigo da série, falei sobre Ciclo Feminino e Ayurveda. Neste terceiro, abordo o Yoga, que também tem uma raiz em comum com o Ayurveda – a tradição védica na Índia.

O Yoga não consiste apenas em práticas de posturas, movimentos, técnicas de respiração, meditação e mudras, mas acima disso é uma filosofia de vida com preceitos e princípios éticos. A Yogaterapia compõe um dos módulos da graduação em Naturologia. Nesse âmbito terapêutico, ela é aplicada como uma abordagem de tratamento para promover e restabelecer a saúde.

No livro Yoni Shakti, a autora apresenta o contexto filosófico e um guia prático com exercícios que contemplam diversas fases da mulher: menstruação, sexualidade, fertilidade, concepção assistida, gestação, recuperação pós-parto e menopausa.

Foi por meio do livro que descobri que os textos clássicos do Hatha Yoga foram escritos por homens e, até recentemente, muitas linhagens do Yoga eram preservadas e perpetuadas somente entre homens. Portanto, as práticas são voltadas para o corpo masculino, sem considerar as diferenças fisiológicas e anatômicas dos exercícios para as mulheres.

Womb Yoga propõe uma revisão das raízes do Hatha Yoga e oferece práticas que atendem ao significado espiritual e ao potencial do corpo e experiência da mulher em todos os estágios de sua vida. As práticas honram nossa natureza cíclica e amplificam a conexão do canal que liga o coração e o útero, e considerando a vida emocional da mulher, os ciclos lunares e o papel dos cinco elementos no corpo feminino – terra, água, fogo, ar e éter.

As práticas ensinadas incluem asanas (posturas), mantras (sons), pranayamas (técnicas de respiração), mudras (gestos), yantras (visualizações), bandhas (contrações), pratyahara (controle dos sentidos), yoga nidra (relaxamento profundo), dharana (concentração), dhyana (meditação) e algumas técnicas de automassagem simples.

A comunidade de mulheres que pratica yoga no mundo todo vem crescendo nos últimos tempos. Então, faz todo o sentido adotarmos uma prática que respeita o nosso ciclo mensal, com diferentes exercícios para cada fase: lútea (menstruação), pré-ovulatória, ovulatória e pré-menstrual. Assim como abordado no artigo Mandala Lunar e Ciclo Feminino.

São exercícios que nos reconectam ao nosso ventre e ao espaço do útero como a sede de uma sabedoria interior nutritiva, por meio de saudações simples, mas poderosas, que usam movimento, respiração e gestos para direcionar nossa consciência do coração para o útero  como uma conexão simbólica com a consciência materna, resgatando nossos potenciais sagrados para o amor, a nutrição, a generosidade e a criatividade. Na anatomia yogue do corpo energético, o útero é a sede da capacidade de nutrir e gerar novas vidas, novas idéias – é o portal cósmico para o poder interior (Shakti).

Além das práticas maravilhosas, um dos capítulos do livro que mais me empolgou foi “O Mundo como um útero: ecologia do útero, eco-feminismo e yoga ativismo: uma força poderosa de mudanças”, no qual a autora apresenta a força das yoginis como agentes de justiça global como potentes antídotos para a misoginia do patriarcado.

“Se vemos o mundo como o ventre em que vivemos, podemos entender o quão importante é uma atitude ecologicamente responsável para a criação de saúde positiva nas mulheres. Em termos da saúde do nosso planeta, nosso “útero”, estamos em um ponto de virada agora. É hora de despertar a conexão entre nosso ventre e nosso mundo: ver que a maneira como cuidamos de nosso planeta espelha a forma como tratamos nossas mulheres e meninas.”

(Uma Dinsmore-Tuli)

Uma compara os abusos sofridos pelas mulheres ao processo de exploração dos recursos da natureza e mostra a ligação entre a saúde da mulher e a saúde do planeta. E nos motiva a abraçar o ecofeminismo em defesa de nossos direitos como mulher e de honrar e preservar o nosso grande útero – a Mãe Terra.

Ela nos alerta, por exemplo, da importância de evitar o uso de absorventes descartáveis, pois são produtos não biodegradáveis que geram acúmulo de resíduos e poluição ambiental. Os coletores menstruais e absorventes ecológicos são a melhor opção também a para a nossa saúde. Ela também destaca os danos causados pela interrupção do ciclo natural da mulher com o uso dos hormônios sintéticos anticoncepcionais e o excesso de medicalização e intervenção no momento do parto. Tudo isso ressoa muito com o desrespeito das intervenções na natureza, nos agronegócios, por exemplo.

E para curar toda essa desconexão com o nosso poder interior, a prática do womb yoga pode nos ajudar a retomar nossa energia vital feminina, nossa consciência e empoderamento para a reconexão com a unidade.

Saudação Rio Sagrado Coração-Útero

A seguir, traduzi uma das meditações ensinadas no livro por Uma. Solicitei a autorização dela para a livre tradução e a publicação aqui. Ela prontamente permitiu e contou que havia acabado de promover um retiro de práticas em Portugal, no qual o Brasil certamente estava em sua consciência, e demonstrou sua vontade de expandir esse trabalho em nosso país. Ela também informou que em breve uma das instrutoras irá disponibilizar um vídeo de uma prática de yoga nidra em português no site www.yoganidranetwork.org.

Portanto, fica a dica para acompanharem as informações lá assim como nos outros sites:

www.yonishakti.co
umadinsmoretuli.com
www.wombyoga.org

A Saudação Rio Sagrado Coração-Útero traz consciência sobre o rio de energia (nadi) que flui entre o espaço do coração espiritual e a fonte de criação, o útero. Esse meridiano é reconhecido tanto na Medicina Chinesa quanto no Ayurveda.

Essa saudação alimenta esse fluxo até que ele cresça para encontrar o oceano de prāṇa ao redor do corpo. Ele oferece uma sensação de profunda conexão com todos os elementos: com a terra quando o Yoni Mudrā desce do útero, e depois através da água, fogo e ar até que a energia e o foco sejam elevados para os céus (6 e 7). Ele literalmente incorpora a experiência do Yoni como um portal cósmico: os céus entram em nossa visão através do Yoni Mudra. Na expiração, o espaço ao redor da parte de trás da cabeça é “penteado” com as mãos e a energia de todos os elementos é reunida nas palmas das mãos e guiada em direção ao próprio útero (9 e 10). A prática dá a opção de fechar com o foco no útero em Yoni Mudrā ou retornar ao coração com Namaste.

 

Clique ao lado e faça o download do arquivo com a prática completa.

Atendimento de Naturologia e Curso Cuide-se Bem

Também insiro as práticas do Womb Yoga e Hatha Yoga nos atendimentos clínicos. Clique em Saúde da Mulher para saber mais.

No segundo semestre, formarei nova turma para o curso Cuide-se Bem – Terapias Corporais Integrativas para Mulheres, no qual irei trabalhar técnicas do Womb Yoga, Qi Gong para Mulheres (tema do próximo artigo), aromaterapia, automassagem, meditação, técnicas de respiração, dicas de autocuidado com Ayurveda e rodas de coaching de saúde e bem-estar.

Quem quiser mais informações, pode escrever uma mensagem no campo abaixo. Formarei a turma com dias e horários conforme houver maior interesse, então manifestem-se 😉

 

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